segunda-feira, 11 de abril de 2011

Usiminas muda gestão de TI para agregar valor a produtos e serviços

 

Criação da Diretoria de TI Corporativa é um salto da área na direção da estratégia da empresa. Primeiro passo para alinhar TI aos negócios.


Em abril de 2010, Carlos Roberto Katayama recebeu a proposta do Grupo Usiminas para não somente comandar toda a TI corporativa, com seus 218 funcionários, como também reestruturá-la. Ele estava na Honda, como gerente geral de TI para a América do Sul. Aceitou o desafio, engatou a quinta em São Paulo e partiu para Minas Gerais.
Na bagagem, levou a experiência adquirida mais recentemente na montadora e também a imediatamente anterior na DuPont, como diretor de TI e de Recursos Humanos de Supply Chain. “O momento é de expansão de negócios da companhia. TI precisa atender essa demanda”, diz Katayama, como é chamado o diretor de TI da Usiminas.
E a siderúrgica não poupou esforços. Uma das principais produtoras de aço plano do País, a Usiminas decidiu, de fato, modernizar a gestão, incluindo a reestruturação da área de Tecnologia da Informação.

Na visão da empresa, era fundamental seguir à risca o que o mercado de TI apregoa faz tempo: alinhar TI aos objetivos de negócios. Afinal, a expansão batia fortemente à sua porta. Para ter ideia do tamanho do compromisso de Katayama, o lucro líquido de 1,6 bilhão de reais conquistado em 2010 está prestes a se tornar pequeno diante do que está preparado para este ano. Serão investidos no crescimento da companhia perto de 3 bilhões de reais.
Na Usina de Ipatinga (SP), braço da siderurgia, a nova linha de galvanização, prevista para o primeiro semestre deste ano, ampliará em 550 mil toneladas a capacidade instalada de produção de aços galvanizados para a indústria automotiva.
A meta é ainda mais agressiva na atividade Mineração Usiminas, joint venture com a Sumitomo. Para o próximo ano, a estimativa é crescer a capacidade de produção de 7 milhões de toneladas conquistadas em 2010 para 12 milhões e totalizar 29 milhões de toneladas de minério de ferro em 2015. Para atingir esse último resultado, deverão ser investidos nos próximos quatro anos mais de 4 bilhões de reais.
Somente no pilar Usiminas Mecânica, empresa de Bens de Capital e Serviços do Grupo Usiminas, foram fechados cinco novos contratos, que ajudarão a engordar ainda mais os cofres corporativos de 2011 com 286 milhões de reais.
Toda essa movimentação espera contar com o apoio da TI. Não a TI tradicional, que atendia em um passado recente muito bem o operacional, segundo Katayama. “Mas uma TI fortemente voltada aos negócios.” Construir um cenário com uma TI que arregace as mangas e se junte à companhia para ampliar a competitividade e a eficiência operacional, além de agregar valor aos produtos e serviços, exigiu um diagnóstico minucioso.

O DIAGNÓSTICO
Katayama sabia que não bastava uma análise do ambiente de TI, listando ativos de software e hardware, que constatou estar atualizado e robusto, fruto de investimentos significativos nos últimos anos. Antes de tudo, precisava realizar uma tarefa simples, mas que nem todo líder aplica: ouvir.
Iniciou uma série de entrevistas com os três principais níveis da companhia: presidência, vice-presidência e diretoria. O laudo: “Precisávamos de reforço na visão para negócios”. Tudo isso, dentro de uma estrutura voltada para esse fim, segundo o executivo.
A chegada de Katayama motivou a criação da Diretoria de TI corporativa. Um salto da área na direção da estratégia da empresa. Com esse escopo, ele traçou um novo layout, abrigando três superintendências de TI. Uma delas é a Superintendência de TI Corporativa, que permeia todos os negócios do Grupo Usiminas. “É uma unidade matricial”, define. Sob ela, estão quatro gerências: Gerência de Governança e Segurança da Informação, Gerência de Sistemas da Informação, Gerência de Tecnologia, Operações e Telecomunicações, e Gerência do Centro Competência SAP.
A outra é a Superintendência de TI para a Siderurgia, que possui duas gerências, uma para cada usina, a de Ipatinga (MG) e a de Cubatão (SP). A última superintendência desse tripé é a de TI para Bens de Capital. Ela abriga a Gerência para a Soluções Usiminas (um conglomerado de 14 empresas do grupo), a Gerência para a Automotiva Usiminas, e a Gerência para a Usiminas Mecânica.
Nessa estrutura, ainda há a unidade Mineração Usiminas, que não está sob nenhuma superintendência, e sim ligada diretamente a Katayama. “Estou cuidando de perto, é um negócio novo, criado em 2010, e que vai quadruplicar até 2015”, diz.

TIME DE ELITE
O palco estava pronto. Restava definiros atores. Katayama diz que a escolha do time consumiu longos três meses. “Missão cuidadosa”, define o executivo, que precisou ter nervos de aço para buscar rapidamente profissionais experientes, com forte perfil de negócios. Uma busca interna e externa. As gerências de Governança e Segurança da Informação e a de Centro de Competência SAP foram ocupadas por profissionais da própria Usiminas por meio de promoções.
Nessa arena, não basta ser expert em tecnologia, prossegue o executivo, o profissional há que se valer da “visão de negócios”. Mas esse ingrediente não é encontrado facilmente nas prateleiras do mercado. Em especial, quando é buscado no núcleo TI e no seio da atividade fim da Usiminas. Para isso, Katayama enveredou-se por ambientes nobres à caça de profissionais que atendessem às seguintes exigências – “nesta ordem” (faz questão de reforçar Katayama) –: “Boa pessoa e bom profissional”.
“Não acredito em alguém que não seja uma boa pessoa e excelente profissional”, afirma o diretor de TI da Usiminas. “A gente contrata primeiro o ser humano, que tem boa índole, bom humor. Em segundo lugar, o bom profissional. Acho que esse é o fator de sucesso para montar uma equipe.” Com essa bandeira, Katayama trouxe profissionais de elite de empresas de diferentes portes e atuações diferenciadas, embora ligadas ao setor, para que esse mix oferecesse o benefício da troca de conhecimento. “Temos de aprender, trocar informações, sempre.”
Questionado sobre o fato de não ter trazido ninguém da empresa da qual saiu, o executivo responde: “Não identifiquei nenhum perfil para o novo projeto. Mas aproveitar a equipe anterior seria, no mínimo, não sair da zona de conforto”, diz e acrescenta: “E não proporcionaria a oportunidade de crescimento a mim, à minha equipe e à empresa, com inovações e processos diferenciados”.
Katayama, que também acumula a Superintendência de TI para Bens de Capital, arrebatou Geraldo Caldeira, ex-CIO da Camargo Corrêa Cimentos, que estava na mineradora Samarco, para a Superintendência de TI Corporativa; José Antônio Furtado, ex-CIO da Villares Metals, que agora lidera a Superintendência de TI para Siderurgia; Wellington Brigante, que veio da usina de cana-de-açúcar Zilor, e que também teve passagem pela Camargo Corrêa, como gerente de TI, para a Gerência de TI da Usiminas Mecânica; e Miguel Eduardo Iacomussi, que era responsável pela TI do Centro de Serviços Compartilhados da Camargo Corrêa, e agora ocupa a Gerência de Sistemas de Informação.
Katayama está certo de que com esse elenco poderá formar sucessores. “Um grande líder é aquele que sabe constituir uma equipe e formar novas lideranças”, diz. “Quanto mais profissionais com potencial sucessor você trouxer, melhor será o seu time e melhor será para a empresa.”

RETENDO O CONHECIMENTO
A orquestra de TI começou a funcionar, de fato, e em sintonia, em janeiro deste ano, já com todo o novo time dentro do atual desenho, alinhado aos objetivos de negócios. “É pouco tempo ainda, mas já observamos que todos estão trocando informações e aprendendo uns com os outros”, diz Katayama. “E isso trará grande valor à empresa.”
Katayama tem trabalhado no paralelo na maximização e na otimização de processos de mitigação de riscos, que serão finalizados no final deste ano, segundo o executivo. “No momento, cada um dos líderes está se aprofundando em cada um de seus negócios para traçar um cenário, que iremos discutir, com o objetivo de montar um planejamento para os próximos três anos.”
Um de nossos projetos importantes tem a ver com a preservação do conhecimento na área de TI. De acordo com Katayama, nos próximos dois a três anos, cerca de 40 profissionais do setor serão potenciais candidatos à aposentadoria. “A idade média de trabalho dos 218 funcionários da área está entre 10 e 15 anos. Alguns têm entre 20 e 30 anos de casa”, destaca.
“Por isso, estamos identificando profissionais nesse nicho para que sejam coachs. Eles serão convidados a repassar todo o conhecimento para os funcionários mais jovens. E vamos oficializar isso”, afirma Katayama, CIO da Usiminas, formador de líderes e guardião do conhecimento. 



Fonte: Site CIO - Estratégias de Negócios e TI para lideres corporativos por Solange Calvo. Consultado em 11.04.2011, as 23:37h. Notícia extraída na integra no link: http://cio.uol.com.br/gestao/2011/04/11/usiminas-muda-gestao-de-ti-para-agregar-valor-a-produtos-e-servicos/. Ilustração minha.


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